Os plural

Caros amigos, eu não queria nem me envolver nessa discussão sobre o livro didático, que versa sobre o uso da linguagem. Pois pra mim, não passa de um forma do PIG, novamente tergiversar, fugir das discussões que nos interessam, como a reforma política por exemplo.

Dito isso, me parece estéril, toda essa gritaria em volta do uso da linguagem ?popular? ou uso da dita ?Norma culta?, pois o livro em nenhum momento diz que devemos abandoná-la (a norma culta), mas simplesmente diz que não se pode caracterizar, pura e simplesmente, o uso do modo popular de se expressar, como erro, e pior como erro grosseiro.

A mim cheira a puro preconceito, e falta de informação, muitos que criticam nem chegaram a ler o livro, vão simplesmente na cola do que o PIG afirma, então primeiro recomendo que 1º faça essa leitura , e depois sim tente fazer críticas, mas construtivas e não simplesmente façam como o PIG que tenta jogar no lixo o trabalho de tantas pessoas de alto saber que estiveram envolvidas na elaboração desse trabalho.

Pensem agora no que seria a cultura brasileira se todos os nossos artistas, autores e compositores se prendessem a ?Norma culta?, não teríamos por exemplo Patativa do Assaré, quem ousará dizer que o que ele produziu não se trata da mais alta cultura vejam os exemplos abaixo:

Sertão, argúem te cantô,

Eu sempre tenho cantado
E ainda cantando tô,
Pruquê, meu torrão amado,
Munto te prezo, te quero
E vejo qui os teus mistéro
Ninguém sabe decifrá.
A tua beleza é tanta,
Qui o poeta canta, canta,
E inda fica o qui cantá.

(De EU E O SERTÃO – Cante lá que eu canto Cá – Filosofia de um trovador nordestino – Ed.Vozes, Petrópolis, 1982)

?Não tenho sabença,
pois nunca estudei,
apenas eu sei
o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho,
vivia sem cobre
e o fio do pobre
não pode estudá?

(Essa eu ?chupei? do Blog Óleo do Diabo, do Compà Miguel do Rosário, que fala disso melhor do que eu, http://oleododiabo.blogspot.com/2011/05/o-livro-maldito.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+oleododiabo+%28%C3%93leo+do+Diabo%29 )

Esse é um exemplo e eu sei que a cabeça de vocês puxará dezenas de outros nomes, Noel Rosa, Luiz Gonzaga, Renato Teixeira, etc.,etc.

Mas a eu me pergunto o que seria de personagens da Literatura Brasileira, como poderia Miguelim descrever Deogracias de outra forma ?Todo tão feio, seo Deográcias, aquele tempo se tinha medo que ele envelhecesse em doido? . Não teríamos aquele, que é considerado por muitos o melhor livro brasileiro de todos os tempos, e um dos melhores do mundo, ?Grande Sertão: Veredas?, como poderia Guimarães Rosa colocar na boca de seus personagens, outra linguagem que não fosse aquela que melhor descreve o serão que ela tanto amava.

Por isso acho que não se deveria perder tempo discutindo algo que não pertence a ninguém, e ao mesmo tempo pertence a todo mundo, o idioma, e o idioma que não evolui está morto, o povo sabe disso e espero que os doutores que entraram nessa discussão descubram isso.

José Carlos


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