Opinião: O dia do homem
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Pode fazer piada?
“O Dia Internacional do Homem é um evento celebrado em 15 de julho de cada ano. As comemorações foram inciadas em 1999 pelo Dr. Jerome Teelucksingh em Trinidad e Tobago, apoiadas pela Organizações das Nações Unidas (ONU), e vários grupos de defesa dos direitos masculinos.
A diretora da Secretaria de Mulheres e Cultura de Paz da UNESCO, Ingenborg Breines, disse que a criação da data é ‘uma excelente ideia para equilibrar os gêneros’“*
O Dia do Homem passa praticamente em branco para muita gente. Muitos dos que lembram, dizem que não haver nada a comemorar. “Celebrar o quê, o machismo?”, é uma pergunta recorrente. Eu acredito que muitas ainda falam (e com razão) sobre o machismo opressor, que é muito forte na nossa e em muitas outras sociedades, assumindo uma postura defensiva e quase anti-homens. Apesar de preferir a companhia e amizade dos homens, admito que não gosto do chamado “homem típico” ou o homem clássico. Porque quando um homem é seu amigo você pode escolher conviver apenas com seu lado divertido e agradável. Homens não competem com você, não fazem fofoca de cozinha – como as que cresci ouvindo em uma família majoritariamente feminina, de criação burguesa. E ainda gostam de falar sobre assuntos que um determinado tipo muito comum de mulheres costumam não se interessar – e não sou eu que digo, mas várias pesquisas feitas com mulheres apontam que os principais assuntos são celebridades, beleza, relacionamentos e moda. Meus melhores debates sobre os assuntos mas diversos foram, na maioria das vezes, travados com homens. Mas sei que também foram muitos deles que tentaram me tratar como se eu fosse burra.
Por conta disso, sempre me pareceu natural ter amigos homens com os quais nunca tive intenção de me envolver emocionalmente. E por ter um certo estereótipo arraigado, vejo que muitas de nós mulheres anda sofremos do mal de esquecer que eles não são todos iguais. E que sim, com toda a militância e insistência, estamos conseguindo educar homens com outra consciência. Os chamados “homens modernos”, que muitas vezes se sentem inseguros no meio do fogo cruzado entre a cultura machista da velha sociedade e as mulheres que não aturam mais esse papel. Homens que muitas vezes não se identificam como seres machistas, mas acabam vítimas dessa cultura por uma pressão social. E quando digo vítimas, me refiro a sofrer influência psicológica através de recriminações e comentários tanto das mulheres quanto dos amigos e familiares que ainda aceitam o machismo como um comportamento natural.
E é por eles, os homens que nunca agrediram ou ofenderam [su]as mulheres; que dividem as tarefas domésticas; que cuidam dos filhos enquanto a mulher trabalha ou simplesmente para que ela possa descansar e se divertir; que apoiam suas decisões; que se interessam pelo que dizem; que acompanham pré-natal quando sua mulher engravida, vão aos grupos, apoiam durante o trabalho de parto; que assumem relacionamentos com mães solteiras e muitas vezes ajudam a criar seus filhos; dividem despesas e a conta; que não se sentem inseguros quando chefiados por mulheres; que procuram dar mais prazer do que receber durante o sexo e entendem que sentimos e queremos prazer, que não há nada que a sua mulher “não possa” fazer por questões morais hipócritas. Que respeitam as mulheres que gostam de beber, de sair, de fazer sexo, de usar as roupas que gostam sem que mereçam ser tratadas como prostitutas. Que nos admiram, nos valorizam e nos respeitam, não como bibelôs mas como seres humanos com necessidades, desejos e direitos iguais. É por eles, que de alguma forma também são uma conquista feminina, que resolvi escrever este pequeno post, como forma de homenagem.
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