De debates, divergências e imprecisões jornalísticas: carta aberta a Eduardo Guimarães
Pezado Eduardo,
Tudo começou quando você postou em seu blog este texto aqui. Eu curti muito o conteúdo mas, como boa jornalista, fiquei com o pé atrás. Cadê o vídeo com todas as partes comentadas pelo Eduardo pra gente ver, concordar, discordar ou ainda acrescentar mais itens à análise do Eduardo? Num tinha.
Devo confessar que meu desejo maior era o de ver Caco Barcellos triturando Eliane Catanhêde (coisa fácil de acontecer, dada a inteligência dos dois). E, apesar de não duvidar do conteúdo e da linha do seu post, como boa jornalista com 20 anos de carreira (mas não use isso contra mim! O passado remoto acontece na semana passada, sempre!
), permiti-me a dúvida. E fiquei doida pra ver o vídeo antes de comemorar ou lamentar o que Caco disse ou deixou de dizer.
Eu não fui a única. Várias pessoas que ponderaram (repare na palavra que eu usei: pon-de-ra-ram) os argumentos de seu post disseram o seguinte: como pode se tomar por verdade absoluta o ponto de vista de uma única pessoa?
Diga-se de passagem, é essa prática que o próprio Caco condena e chama de “jornalismo declaratório”: Eduardo Guimarães disse isso isso e isso – e toma-se como verdade para criar polêmica.
Isto posto, no que pode ser considerado um verdadeiro esforço de reportagem, a jornalista Amanda Vieira, a @amanditas1904 (que você diz ser militante do PSOL e eu não tenho como provar se isso é verdade ou não), comprou de uma empresa de clipping o programa em questão e postou no youtube o vídeo a seguir:
http://www.youtube.com/watch?v=8OdncyENbdM
e eu me refastelei com tanta informação junta. (desculpa, hábito de jornalista).
Após assistir ao vídeo duas vezes, fiz um comentário grande, pontual e visceral – ainda que respeitoso e convidativo ao debate – em seu post primeiro. E você deletou esse comentário.
Como eu já esperava tal atitude [eu poderia inserir aqui uma série de adjetivos, mas vou me abster. Não quero perder minha razão.] de sua parte, copiei o texto. Ei-lo:
Espero sinceramente que você publique este comentário no seu blog.
Na boa? Você entendeu tudo errado! O vídeo que você diz que foi censurado, não deve ter entrado no site porque o editor preferiu subir o bloco em que se falava do assunto do dia, que era a marcha contra a corrupção. E foi uma decisão jornalisticamente acertada, porque poucas pessoas estariam interessadas num caloroso debate entre a representante dos barões da mídia versus o militante do bom jornalismo blablabla pereré pão duro blablabla whiskas sachê. Aqui está o vídeo com o trecho que você comentou e disse que foi “estranhamente mutilado”. Quem o conseguiu foi a Amanda (@amanditas1904):
[link para o vídeo já postado]
Após assistir a esse vídeo, percebo:
1- Logo no início da conversa entre Caco e Eliane (refiro-me ao trecho do vídeo daí de cima), Caco respondeu a Eliane que perguntou se ele participava da Abraji: Acho interessante mas não participo, porque não encontro tempo para fazer militância ao lado do meu trabalho . Ali não é exatamente militância, mas precisa de disciplina, organização, participar de fatos concretos. (…) não me sobra tempo” sobre fazer parte da Abraji, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. E conclui: Eu não consigo ter outra atividade que não seja ir pra rua e voltar com uma história, Eliane”.
[é, eu numerei errado! /o\ ] 3- A seguir o próprio Caco cita o jornalismo declaratório, e a Eliane responde sobre a apuração do caso Palocci.
4- Caco Barcellos NÃO RESPONDE A ELIANE DIZENDO QUE DISCORDA PORQUE FAZ JORNALISMO, E NÃO MILITÂNCIA POLÍTICA. Ele respondeu: “Você me respondeu um exemplo em que seus colegas apuraram. Mas todo dia há meia dúzia de exemplos. (…) Tem iniciativas mto sérias, e importantes, mas ao lado disso, me parece ,denúncias preocupantes. (…) O início quase sempre começa com declarações contundentes envolvendo o nome de mta gente. mta gente q acaba sendo punida e mta gente q não tinha nada a ver com a história, mas, na pressa da denúncia, eu acho que a gente acaba cometendo algumas responsabilidades, me parece.”
Portanto, Caco usou a expressão fazer militância. E não usou o adjetivo política logo em seguida.
E sempre que usou a expressão militância, referia-se a participar da Abraji, e não de ser pró ou contra isto ou aquilo. Como já frisei lá em cima, Em momento algum Caco Barcellos declarou o que você destacou no título do seu post. Pelo contrário, ele foi muito elegante e superisento ao responder à Catanhede.
Vamos combinar, Eduardo, que usar justamente uma declaração que é uma verdadeira aula de jornalismo de Caco Barcellos para manipular o texto dele e dizer o que você gostaria que ele tivesse dito é, no mínimo, piada pronta. Os mais nerds lhe diriam que trata-se de uma inception.
Eu poderia aqui lhe acusar de se utilizar das mesmas práticas da revista Veja que deturpa declarações e fala o que bem entende, pois é exímia representante do PIG pereré pão duro blablabla whiskas sachê. Mas vou lhe poupar desse desfile tenebroso de clichês.
O fato é que você, em sua afobação de líder estudantil adolescente, para provar seu ponto de vista, DETURPOU A FALA DE CACO BARCELLOS. Muito elegante de sua parte seria se você RECONHECESSE O ERRO CRASSO QUE COMETEU.
No mais, Eduardo, sou obrigada a lhe dizer que eu entendi o que os jornalistas da Folha de SPaulo quiseram lhe dizer no churrasco da gente diferenciada, quando lhe chamaram de “infantil”:
Sua postura é de líder estudantil. Adolescente. Para um homem de 50 anos, fica meio dissonante. Tachar os que não concordam contigo de compactuantes dos Barões da Mídia, como você fez COMIGO no twitter por eu estar ridizularizando a novela do SBT, é uma postura igualzinha à da Veja. Sabe aquele papo que você cita aí em cima da tática de destruir reputações? Pois é. Cuidado, você está se valendo dela!
Pelo seu perfil, você é justamente o cara que poderia dar lindas bofetadas com luvas de pelica na Grande Imprensa: você é um empresário, entende de gerir negócios. Se você optasse pelo ponto de vista de gestão e administração empresarial para criticar Folha, Veja et.al, você seria mais respeitado. Mas não. Prefere usar-se de chavões vencidos há pelo menos 30 anos (“os barões da mídia”, “o golpismo midiático”) para criticar a Grande imprensa. É é por eles tachado de infantil.
Pense bem na sua postura, porque credibilidade é uma ferramenta fundamental para qualquer pessoa neste mundo. Para um blogueiro que se pretende sério, ela é mais fundamental ainda.
Atenciosamente,
Letícia Sallorenzo
Não iria publicar esse comentário, mas as circunstâncias me obrigaram a tal. Você fez um novo post louvável no qual você reconheceu o erro e disse que, a seu ver, a inclusão ou não da palavra política não faz a menor diferença.
Me desculpa, mas eu acho que faz, sim. Digo isso como jornalista e editora.
Aí, eu entedi que você deletou meu comentário primeiro, e fiz um outro comentário, mais leve porém não menos incisivo. Como não esperava que você DELETASSE DOIS COMENTÁRIOS SEGUIDOS MEUS NO SEU BLOG, não copiei o segundo comentário. Mas eu vou tentar lembrar o que disse nele.
1- Eu defendi a Amanda tal qual fiz lá em cima (“não teho como afirmar se ela é ou não militante do PSOL,
2- disse que se o vídeo foi desencavado, ainda bem, pois trouxe à tona um debate saudável e racional (não me lembro quais foram os adjetivos, mas eu disse isso)
3- Reiterei a diferença que o adjetivo política fez no seu texto
4- Dei uma dica de edição jornalística pra você: se você não tinha como repetir com exatidão a declaração de seu entrevistado, que avisasse isso antes de fazê-lo, e não transformasse em título uma frase que você não tinha certeza se Caco disse ou não.
5- Reiterei que, se existem pessoas que ousam discordar de você, que você procure, em vez de desfazer delas como inferiores militantes do PSOL (sei que vc não disse inferiores, mas é essa a sensação que eu tenho quando leio você chamar alguém de militante do PSOL), mas onde é que eu tava mesmo? Ah, sim! que em vez de você desfazer dessas pessoas, você ao menos pondere as colocações delas. E que a dita esquerda brasileira deveria dar graças aos céus por sua heterogeneidade, pois graças a ela a gente vai pra frente, ainda que aos solavancos. A direita, homogênea e uníssona, perdeu o discurso, coitada.
Enfim, foram essas mais ou menos as colocações de meu segundo comentário. Que você também deletou.
Gostaria de:
1- Entender seus critérios de deleção de comentários
2- Entender NAONDE que eu me enquadro neles.
3- Declarar que eu faço questão de trazer todo mundo à racionalidade. Pergunte ao Rafael Tsavkko o saco digo a paciência que eu tive pra lidar com ele quando ele resolveu dizer que estava sendo censurado por um blog cujo autor, horas antes, havia declarado que não censura nada. eu fiquei horas ocm o Rafael testando os posts dele, no meu blog não entravam, iam pro spam, eu sugeri a ele que trocasse o IP porque poderia ser erro de sistema e tal e ele insistindo em censura, até que ele mesmo descobriu que o IP dele tava bichado e, ao reiniciar o modem e ganhar novo IP, voilà, os comentários dele entraram sem problemas no blog dito censurável.
O Rafael Tsavkko vai MORRER dizendo que foi censurado naquele blog. E eu vou MORRER DUAS VEZES puxando a orelha dele e dizendo que ele tá errado. E ai dele se ousar me chamar de censora ou de intolerante o do que quer que seja (inda mais se eu estiver de TPM!:P )
Mas o Rafael me escuta. E pondera o que eu digo.
Você me deleta.
Pense em tudo o que eu escrevi aqui. Aguardo ansiosamente para ouvir o que você tem a dizer.
E não me chame de troll, nem de desqualificadora, pelo amor de Deus.
não pense também que isto é um ataque pessoal. Primeiro porque não é um ataque, é um convite ao debate. Segundo porquenão tem nada de pessoal aqui. Não lhe conheço pessoalmente. O máximo de pessoal que fiz em relação à sua pessoa foi rezar bastante pela sua filha qdo ela tava no hospital. (aliás, meus votos para que ela esteja bem!
)
Minhas ponderações também não são quanto às suas ideias – você tem o direito de pensar o que quiser. O que eu quero aqui é chamar atenção para os equívocos da sua postura com relação aos que discordam de você. Você faz questão de desqualificar a todos!
Eu estou aqui justamente pra te fazer pensar, ponderar e debater. E deste debate daqui eu não vou deixar você fugir.
P.S.: Não tente me desqualificar em seus comentários. Observe aqui que em momento algum eu te desqualifiquei. Tenho nojo a praticar o jornalismo que a Veja pratica.
Em tempo: não sou filiada a nenhum partido. Sou jornalista.
Atenciosamente,
Letícia Sallorenzo (@bruxaod, a Madrasta do Texto Ruim)
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