“Os povos indígenas e os camponeses têm soluções para enfrentar a mudança climática!? Isso é o que afirma a Via Campesina em uma convocatória para mobilização mundial. A ação, promovida pela organização camponesa e pelo Movimento dos Sem Terra da África do Sul, acontecerá no marco das discussões da XVII Conferência das Partes (COP17) da Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas, marcada para ocorrer entre os dias 28 de novembro e 9 de dezembro em Durban, África do Sul.
Em tempos de desativação de usinas nucleares com investimento em geração de energias alternativas em países europeus como Alemanha e Suécia, podemos comemorar uma boa notícia aqui no Brasil.
O município de São Bernardo do Campo terá a primeira usina termelétrica movida a lixo do país.
A cidade produz hoje 700 toneladas de lixo em média, que são destinados em um aterro sanitário no município de Mauá.
Em 2010, o presidente Lula assinou uma lei que decreta a proibição dos famosos lixões.
Os aterros sanitários privados custam muito caro para os municípios e esta solução é esgotável e fonte de problemas urbanos permanentes.
Os aterros são uma espécie de super bomba de longo prazo. Produzem gases tóxicos e um líquido chamado chorume que ao penetrar no lençol freático produz contaminação por longos anos.
Além disso, as áreas próximas aos aterros sofrem grande desvalorização e acabam se tornando destino de muitas famílias que por não encontrarem moradia nos centros urbanos se instalam em suas cercanias, correndo riscos de doenças.
A área escolhida para instalação da usina será o antigo lixão do Alvarenga. Um passivo ambiental que será recuperado e revitalizado.
Um sistema de separação magnética seleciona os resíduos que podem ser reciclados. Os materiais incinerados oferecem um potencial de produção de energia para 200 mil habitantes. Poderosos filtros impedem a emissão de gazes nocivos a atmosfera e se transformam em vapor. As cinzas geradas pelo processo podem ainda ser utilizadas na produção de asfalto.
Para que o sistema funcione de maneira efetiva os programas de reciclagem de lixo devem ser reforçados e adaptados dentro de uma lógica de produção industrial.
Os trabalhadores informais que hoje atuam nas ruas sem nenhum tipo de seguridade social serão valorizados, formalizados e incluídos nesta nova cadeia produtiva.
Outras cidades brasileiras como Barueri, São José dos Campos e Santo André se movimentam em direção semelhante a este modelo que já é consagrado em importantes cidades européias.
Hoje, o Brasil produz mais de 195 mil toneladas de lixo, dos quais, 35 mil ainda são destinados a lixões sem nenhum critério de armazenamento, segundo dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).