Apesar disso foi com silêncio que a Geni, alguém “que sofre e ama verdadeiramente seus semelhantes”, se fez ouvir na ópera e esfregou na cara das pessoas suas próprias hipocrisias. Um silêncio que, aparentemente as Marchas da Liberdade que pipocaram em todos o país no último fim de semana (18/06), não estão mais dispostas a levar adiante.
Diverti-me muito na Marcha das Vadias realizada na tarde deste sábado em São Paulo. Lembrou-me o tempo das passeatas contra a ditadura militar da minha juventudde (estou entregando a minha idade de bandeja aqui!). Fiquei desapontada com o número reduzido de participantes (de 300 a 500, conforme o horário), mas tive boas supresas que gostaria de registrar.
Quando o simpático tenente da PM paulista achegando-se a um grupo de moças que na Marcha da Liberdade (28/05) seguiam pela av. Paulista portando flores e cantando, indagou-lhes quem eram os líderes do movimento ouviu, quase que numa única voz, que ali não havia líderes, todos eram soldados rasos nenhum general. E enquanto estendiam-lhe flores uma completou, “até porque generais não dão flores”.
Ao convidar algumas amigas para me acompanharem à Marcha das Vadias, percebi que gente que não frequenta a blogesfera não tem a menor ideia do que se trata. Por isso, achei necessário fazer um novo post explicando o assunto. A Marcha das Vadias (ou Slutwalk, no original em inglês) surgiu em Toronto, no Canadá, como reação à infeliz observação de um oficial de polícia que deu uma palestra em uma faculdade de direito sobre segurança pessoal. ?As mulheres devem evitar se vestirem como vadias para não serem vítimas de estupro?, disse o policial Michael Sanginetti em 24 de janeiro.
Desde pequena, ouço que meninas não podem fazer certas coisas, como jogar futebol (sim, sou antiga mesmo, na minha infância, menina não jogava futebol) ou estudar engenharia. Também ouvia que a solução para a minha vida seria arrumar um marido, para me sustentar. Havia uma constante agressão, dissimulada, contras as mulheres para convencê-las de que elas eram incapazes de viver por si próprias, que a única alternativa que uma mulher teria era a de viver pendurada em um homem (a quem chamaria de marido). Na esteira disso, vinha uma série de outras agressões que faziam (e ainda fazem) parte da vida familiar de qualquer mulher.