Nas questões de Estado, é elementar que a política de defesa deve ser compatível com a política diplomática.
É impossível determinar com precisão o momento em que Nelson Jobim decidiu deixar o governo. Mas ele deixou clara essa intenção em dois episódios nos últimos quarenta dias. A primeira, no aniversário dos 80 anos de seu amigo FHC, quando usou frase de Nelson Rodrigues para dizer o que pensa do governo petista: ?Os idiotas perderam a modéstia?. A segunda, há quinze dias, quando confessou, sem necessidade, ter votado em José Serra nas últimas eleições.
As razões que o levaram a querer deixar o governo dizem respeito à sua ansiedade de homem inquieto, ambicioso e arrogante. Ele deve ter concluído que permanecer sob o comando de Dilma Rousseff não renderia mais nenhum dividendo para sua carreira política e suas pretensões. Quis sair por cima. Sai pela porta lateral, sem desmoralização, mas sem nenhum triunfo.
O P.I.G. ( Partido da Imprensa Golpista ) ao ver o seu candidato preferido José Serra ser atingido de morte na cabeça e na carreira política por uma simples “bolinha de papel” e depois ver o “bolinha da vez” Aécio Neves cair do cavalo por se recusar a soprar um simples bafômetro ficou sem nomes para tentar voltar ao poder. ( Leia mais no link )
Senhor Ministro Nelson Jobim,
Suas credenciais dispensam apresentação. Como se não bastassem os elementos engedrados por sua trajetória, sua relação fraternal com o tucanato, sua amizade com José Serra (o homem que abriu a caixa de Pandora do preconceito no Brasil contemporâneo, o candidato da bolinha fake de papel) tivemos o (des)prazer de tomar conhecimento do papel de agente duplo do senhor, através das revelações do Wikileaks (para quem não se lembra, clique aqui).
Sinceramente tem coisas no PT que são difíceis de entender. Não sei como um partido que se considera de Esquerda pode ter entre seus ministros um indivíduo como Nelson Jobim, que fez de tudo, e ainda faz, para impedir a criação da Comissão da Verdade, que investigaria e tentaria punir judicialmente os torturadores da ditadura militar. Que usou e abusou dos holofotes da mídia conservadora para constranger o ministro dos Direitos Humanos Vannuchi. Ministro este que teve seu próprio irmão assassinado nos porões do DOPS.