Agora é oficial! O Senado denunciou aquilo que todos já sabiam e fingiam que não viam: a maior empresa de fast-food do mundo explora trabalho escravo no Brasil. Isso acontece em todos os restaurantes. É a regra, não é a exceção. Ah, mas o lanche é tão gostoso, não é mesmo. Querem testemunhas? Perguntem aos milhares de ex-funcionários, como eu, que perderam anos preciosos de sua vida para dar lucro a uma empresa que tem coragem de pagar menos que um salário-mínimo. Envergonho-me de morar num país que somente agora percebe o trabalho escravo oficial e generalizado dentro de uma das empresas multinacionais mais conhecidas do mundo.
Cláudia Andujar nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1931. Filha de pai judeu, morou na Hungria quando criança. Em 1944, durante a ocupação alemã, seu pai e outros familiares foram mortos num dos campos de concentração nazistas. Claúdia e sua mãe conseguiram fugir para os Estados Unidos, passando uma temporada em Nova Iorque antes de desembarcar no Brasil, em 1955. A fotógrafa reside no País desde então, e hoje vive e trabalha em São Paulo.
As fotos publicadas nesta 4ª edição de direitos Humanos fazem parte do último livro de Cláudia, ?Marcados?, lançado em outubro de 2009 pela editora CosacNaify. As imagens foram feitas no início dos anos 80, quando a fotógrafa, acompanhada de agentes e médicos do Ministério da Saúde, viajou para a fronteira norte com o fim de captar as imagens dos yanomami para um registro de vacinação. Como aqueles índios não costumavam identificar-se com nome próprio, cada um foi fotografado segurando uma placa contendo um número para identificação ? era o Cadastro de Saúde Yanomami, uma ficha individual que, nos anos seguintes, foi usada para registrar a aplicação de vacinas Sabin, BCG e antitetânica. Temos aí a série Marcados, na qual Claúdia faz um diálogo entre os índios yanomami fotografados ? ?marcados para viver? – e suas memórias, de 1944, quando, aos 13 anos, teve seu encontro com aqueles que, estrela de Davi costurada à roupa, haviam sido ?marcados para morrer?: sua família, amigos e Gyuri, rapaz judeu que foi seu primeiro amor.
?Foi bonita a festa, pá!? Podemos estar contentes com a aprovação da Comissão Nacional da Verdade pela Câmara de Deputados ontem. Consagrou o método de combinar acordos políticos com mobilização popular. E esta demonstrou como os artistas e intelectuais continuam demonstrando uma grande sensibilidade para as maiores causas nacionais.
O fotógrafo carioca José Roberto Ripper tem como proposta colocar a fotografia a serviço dos Direitos Humanos. Sua especialidade é a fotografia social, documental e o fotojornalismo. Com militância trabalhista e sindical e longa experiência em jornais e revistas, Ripper criou e coordenou a Imagens da Terra, nos anos 1990, entidade sem fins lucrativos especializada na fotografia documental de denúncia social. Entre os temas que permeiam o trabalho do fotógrafo estão a vida do homem do campo, o habitat indígena, a seca do Nordeste, o trabalho de carvoeiros a crianças em Mato Grosso do Sul.
O texto que reproduzo hoje é do livro Brasil: Nunca Mais da Arquidiocese de São Paulo. O livro foi feito usando os arquivos corajosamente roubados do Superior Tribunal Militar em plena ditadura do general Figueiredo. Esse arriscado empreendimento foi possível graças ao apoio financeiro de dois religiosos: o Cardeal Arcebispo de São Paulo Don Paulo Evaristo Arns e o Secretário-Geral do CMI Conselho Mundial de Igrejas que congregava diversas igrejas pentecostais, ortodoxas e protestantes.