Degradável, Mas Descartável
A sustentabilidade chegou aos humoristas. Nesta segunda-feira, foi a vez do programa CQC, da Band, dar a sua versão sobre o assunto que não quer calar: o fim das sacolas plásticas.
Mesmo depois de tanta trela, ainda existem pessoas que são contra o fim do uso das benditas sacolinhas. Aqui na coluna mesmo já escrevi sobre o que deveremos fazer quando este fatídico dia chegar (?Mais uma Sacolinha pra Ficar Mais Resistente??, de fevereiro)-, mas alguma coisa está faltando ser dita. E não somente aqui no site, mas em qualquer lugar que aborda este tema: por que devemos por fim às sacolinhas?
Esta questão parece não ter resposta definitiva. Muitos afirmam que jogam suas sacolinhas no lixo (não na natureza), e por isso não se enquadram no perfil de poluidores. Outros, como os que causaram o movimento mostrado pelo CQC, alegam que é tudo uma jogada das grandes redes de supermercado para cobrar ainda mais pela aquisição das sacolas (que, aliás, já estão inclusas no preço das mercadorias; óbvio que o consumidor paga o pato).
Pois bem, não posso discordar destas correntes. Mas são movimentos deste tipo que atrasam ainda mais uma decisão definitiva por parte do Governo, que pretende proibir o uso das sacolas em várias cidades brasileiras (vide São Paulo, o caso mais atual). Além disso, se aproveitam dessa indecisão popular sobre o assunto para tentar ?solucioná-lo? da pior maneira possível. Vejamos por quê.
Segundo especialistas, um dos grandes problemas da sacolinha é o seu tempo de decomposição, que está em torno de 200 anos. Para contornar isso, entrou em cena a magnífica sacola biodegradável (e toda sua família degradável, oxibiodegradável, e por aí vai), capaz de se decompor em 2 anos.
Resolvido? Ao curto-prazo, sim. As sacolas deixariam de formar ilhas de lixo e teriam menos tempo de ?vida? para acabar com a vida de verdade dos pobres animais indefesos.
Já ao longo-prazo, nem pensar. Nem que ela se decompusesse em 10 minutos o problema chegaria ao fim. Sabe por quê? O que está em jogo aqui não é o tempo que o problema leva para sumir dos nossos olhos. É o tempo que a Mãe Natureza precisa para regenerar este material. É, no caso, outro grande problema da sacolinha: o esgotamento de recursos naturais.

Desculpa pra ser descartável?
Pense comigo. Depois de extrair o petróleo para fabricação de uma sacolinha, em quanto tempo será que este produto irá decompor e se transformar novamente em combustível fóssil? 10 mil anos? 100 mil? UM MILHÃO?! E até lá, o ritmo de consumo de sacolas deverá, no mínimo, continuar o mesmo absurdo que hoje é no Brasil: 66 sacolas por habitante por mês. Pasmem!
É evidente que não vai dar tempo da natureza nos oferecer de novo aquilo que estamos simplesmente usando e fingindo ignorar. Nosso ritmo de produção e consumo é infinitamente superior ao ritmo que o Planeta consegue nos dispor a matéria-prima novamente. E, me perdoe Malthus, mas tecnologia nenhuma vai fazer a taxa de extração reduzir a ponto de não dependermos mais do meio ambiente para fabricar nossas extravagâncias.
Portanto, da próxima vez que vierem com essa história de tempo de decomposição, pense duas vezes. O melhor mesmo que temos a fazer é utilizar sacolas retornáveis, que durem décadas, mas que sejam usadas todo dia. Vamos acabar com a cultura do descartável!
Warning: Missing argument 2 for get_author_meta(), called in /home2/biruel/public_html/colaborativo/publish/wp-content/themes/teialivre/single-normal.php on line 76 and defined in /home2/biruel/public_html/colaborativo/publish/wp-content/themes/teialivre/functions.php on line 62











